Foto-divagação #16
Espera…
Sobre coisa nenhuma…
Vejo pelo vidro baço o lento passar das coisas… este tempo espalha um tom de serenidade em tudo. A noite vem chegando. Despeço-me e vou para a paragem do autocarro. Inexoravelmente, perco-me no meio de pensamentos pintados de nuvem… as pessoas deslizam por mim, e eu sinto-me a parar no abrigo. O vento passeia-se também por ali. Recebe as vénias das árvores… penso eu. Talvez não, porque estão de costas. Enganaram-se. A minha cabeça vai planado por aí ao sabor do vento… por vezes na ânsia de querer ser clara e por vezes não conseguir. Querer libertar-me de tudo aquilo que fui carregando sem aparente razão. Espantar espectros de qualquer coisa que me persegue desde há muito sem saber o que é ao certo. Vou sendo em vez de ser. Vou mascarando algo que tenho medo de poder ser mais descontrolado que eu. Quero tirar este peso de mim. E vou planando por aí à procura da razão e da solução…
O autocarro chegou. O frio já me fez tolher no canto da paragem. Hora de ir para casa.
Ludovico Einaudi ‘Nightbook’
Foto-divagação #15

Vestígios (tomo 3)
Foto-divagação #14

Vestígios (tomo 2)…
Foto-divagação #13

Coisas de um antigo presente…
(eu sei que vai tudo olhar para a foto e dizer: ‘mas porquê o tanque ali?’… não sei)
Eterno descanso ao lobo.
1950-2009

António Sérgio. Voz ímpar na rádio. O senhor alternativo. O senhor da resistência.
É de um modo inesperado que ele nos deixa. Mas a sua voz ainda ecoa… ainda se ouve por aí. O uivo ainda se ouve.
Até sempre. E obrigado.
foto-divagação #12

Vestígios…
Foto-divagação #11

Lusco-fusco.
(e não uso o sinónimo, porque senão ainda pensam que aqui escreve mais um que gosta de um dito filme com vampiros adolescentes… fique bem claro que este estaminé foi imunizado contra essa ‘coisa’ a que chamam filme. Enfim… )
foto-divagação #10

Details…
Uma pequena referência aos Kraftwerk, que vão lançar toda a sua discografia remasterizada daqui a pouco tempo. Para quem não sabe, nem nunca ouviu falar de Kraftwerk, são um grupo alemão vindo dos anos 70. São um marco fundamental para a música electrónica, influenciando muitos artistas de várias áreas musicais. Foram os primeiros a usar o sintetizador, tecnologia de ponta, na altura… Enfim. Fica aqui uma das minhas favoritas deles, para além de muitas outras, que em 30 anos, muito foi editado, muito mais deve ter ficado por editar.
Kraftwerk ‘Neon Lights’ (1978)
Pelas ruas de Lisboa…

Quem foi o ‘malandro’ que fez isto?
Desde já, tenho a dizer que conseguiu aparecer num site de uma revista internacional, a ICON. Podem ver aqui.
Diz que esta intervenção foi feita próximo do edifício da Ordem dos Arquitectos… é uma questão de investigar. A descoberta foi feita pelo arquitecto Pedro Gadanho que a mostrou a esta revista.
Someone – a rogue architecture student? – has lined the bottom of a wall with the kind of buildings you might find in icon. The selection indicates that this particular graffer both knows his onions and has good taste: Peter Zumthor’s chapel in Mechernich, SANAA’s school in Essen, OMA’s Casa da Musica and one building that looks suspiciously like Valerio Olgiati’s Yellow House, but we may be wrong. There are also classics, such as Jørn Utzon’s Sydney Opera House and a collection of Oscar Niemeyer’s Brasilia buildings.
(retirado da ICON, texto de Justin McGuirk)
Está um bonito trabalhinho, está sim senhor…
Foto-divagação #9

By a sea of myst…

Uma vénia à senhora que fez esta imagem… e aplica-se a tantas coisas mais que o desenho…
Por Jessica Hagy, aqui.
foto-divagação #8

Manhã submersa…
foto divagação #7

Fantasma.
Contraponto.
Bom. De maneira que para fazer o contraponto com o post anterior…
E pronto. Era só isto. Obrigado e bom dia. Dentro do possível.
Eu não quero ser desmancha-prazeres, mas não está calor demais para a época em que estamos? O que é feito então da chuva com que Outubro nos costuma ‘brindar’?
Massive Attack. ‘Pray For Rain’.
Sobre alguma coisa…
A noite estava tranquila. Uma fria brisa percorria aquele espaço de forma persistente. Pedia-nos para procurar um abrigo. E de facto, naquela voz afigurava-se um abrigo, uma planta para este frio que já enregelava. Entrámos pé ante pé, para os lugares. Um pouco apertado, mas não tinha importância.
Ela surgiu, linda, resplandescente.
E sentou-se a meu lado. Naquela serenidade desarmante ali estava ela a ouvir o mesmo que eu, aquelas ‘Quiet Nights of Quiet Stars’… Eu estava estarrecido. Não conseguia fazer outra coisa a não ser contemplar. Tudo naqueles instantes era tão perfeito e admirável que tinha medo de perturbar esse equilíbrio.
O concerto acabou. Uma ovação à artista. Saiu de palco. Mas ao meu lado ainda tinha a senhora com o vestido preto e os sapatos dourados. Não queria, não quero que esse momento acabe mais.
Foto-divagação #6

Naturae.
Sobre coisa nenhuma #4
Mentalmente valseio por entre memórias e outros pensamentos. Vou bamboleando pela minha inconsciência avaliando tudo o que fiz até agora… Nunca saio contente. Mas disciplino-me para não me entristecer com o que fiz. Talvez não tivesse chegado a este momento. Acho que não sei enganar ninguém. Mas então não sou aquilo que pareço? Em que ponto é que ficamos? Responder a um desafio só o consigo fazer depois de muito tempo pensado e mastigado… não tenho capacidade de improviso… vida tão estranha.
Foto-divagação 05

Dicotomias casamenteiras…
Retorno, qual emigrante.
E assim, passou ‘num pau de fósforo’ o meu momento de eremitagem. Arrasto-me agora lenta e penosamente para uma nova jornada. O ano afigura-se bastante trabalhoso – como eu ‘gosto’ de frases feitas… só quer dizer que não sei escrever mais nada a não ser tudo sobre nada – e cheio de surpresas. É uma questão de abrir a caixa de chocolates e ir provando-os um a um, e a ver se não apanho um daqueles com recheio de licor de cereja, blagh, horríveis.
Os dias ainda soam tranquilamente desérticos aqui. Tudo parece caminhar inexoravelmente para a mudança. Tudo o que existe é mudança permanente. Mas aquele pinheiro manso que vejo do meu quarto ali se bamboleia ao sabor do vento. Quantos pinhões já ali apanhei, a sombra que aquilo proporciona, memórias de infância. Tantas coisas que não mudam, pelos vistos. E não fosse eu português; logo aí há mais umas coisas que também dificilmente mudam, só com um esforço enorme. Enfim…
Mas estou pronto para o fim-de-semana. Por mais difícil que seja, mesmo que na segunda ‘entre ao serviço’ de manhã cedo. Levo memórias. Boas, muito boas, e menos boas. Outras mais bizarras. Outras que quando esmiúçadas (já não se pode dizer isto sem pensar no que estão a pensar quando dizem esmiuçar, nem vou esmiuçar mais essa questão, porque sinceramente, já começa a fartar tanto esmiúçamento) dão para ver o quão ridículo o ser humano consegue ser por vezes. Outras que, pronto.
E eu que queria outras férias…
Retro-mania
Os anos oitenta estão na moda, pelos vistos… o tempo dos jogos de zx-spectrum, pong, e outros míticos jogos… e de tantas outras coisas.
Mas vi isto e estou estupefacto. Ora vejam lá:
Máquina do tempo…
E se quiserem música desse tempo, feita agora…
Tiga ‘Luxury’
Foto-divagação 04

(dos idos, borbulhentos e dementes tempos de secundário…)
Sobre coisa nenhuma III
Não escrevo muito mais que uma linha ou duas a mostrar esta música (e mais uma vez é só mesmo a música que interessa)… até porque a música é leve, muito leve que se fecharmos os olhos quase que planamos por uma noite fresca depois de um daqueles dias de calor de caldeirão que só aqui na minha terra se apanha no Verão. Portanto aqui fica: Zwicker feat. Heidi Happy ‘Who you are’.
Foto-divagação 03

(Em Tomar… talvez memórias de infância, talvez a visão do presente cada vez mais decadente)
Linha.
O deviantart é um gigantesco baú de surpresas. Pelo menos para os mais interessados neste mundo gráfico, é uma montra aberta a todo o mundo. E numa das minhas incursões tardias pela internet descobri o portfólio de um artista chamado Esteban Giacobone. E gosto particularmente da série de imagens em que a linha (no sentido literal, pelos vistos, porque deve ter pegado mesmo em linhas para fazer tais desenhos) ganha protagonismo.
Portanto para ver a galeria de trabalhos dele no Deviantart, é aqui;
e para ver o site pessoal é por aqui.
Espero que gostem, obrigado e bom dia.
Blogosférias…?
Não… é mais um retiro pela minha terra. Mas tenho acesso a net, a civilização não está longe. Mas há necessidade de desligar totalmente… por outro lado, há a necessidade de adicionar mais umas letras a este compêndio de inutilidades, que, enfim, vou equilibrando as vontades.
Ora acordo a meio da noite só para olhar lá para fora e ver o vento fazer bailar as carumas daquele velhinho pinheiro manso… Ora vou fazer uns biscates aqui por casa…
Ora pego num bloco de notas já velho e vou fazendo mais uns doodles.
Ora pego na bicicleta e na máquina fotográfica e vou tirar fotografias de bicicleta… quero fotografar aquele anoitecer…
Querer, quero muita coisa.
Por agora, quero apenas descanso. A tranquilidade de estar à noite de janela aberta e apreciar o calmo escuro que pousa pelo lugarejo é-me suficiente para dizer que assim é que se passam as férias…
É estranho, mas escrevo isto a ouvir o ‘Oh gente da minha terra’ da Mariza cantado no festival Sudoeste, em directo, e ponho neste post um link para uma música electrónica… Uma amálgama de coordenadas sonoras bastante curiosa…
E tenho a dizer que estou arrepiado só de a ouvir cantar. Fantástica…
foto-divagação 02

